sexta-feira, 7 de março de 2014

Vocês conhecem o Rato-Canguru?

Um animal com menos de 10 centímetros ficou conhecido por uma capacidade inusitada: ele pode viver sem beber água. Pertencente à família Potoroidae, o rato-canguru é um marsupial nativo da Austrália que vive em regiões desérticas, um dos ecossistemas mais hostis do planeta.

O animal que nunca bebe água se alimenta de grãos e folhas secas. A explicação para ele conseguir viver sem um elemento essencial para a maioria dos organismos vivos está justamente na sua alimentação. Mesmo que mínima, a quantidade de líquido presente nos grãos secos que o rato come é o suficiente para sustentá-lo. Além disso, sua transpiração é nula e seus rins produzem uma urina muito concentrada e seca, assim como as suas fezes. Esses animais ainda costumam tomar “banho de areia”, para evitar que sua pele se torne oleosa.


São animais solitários e costumam se aproximar de uma fêmea apenas no período de acasalamento. Entre outras características marcantes, estão suas pernas longas, que o permite se descolar melhor e mais rapidamente na areia do deserto.









Fonte: TopBiologia

Aves Primitivas

Acredita-se que as aves modernas surgiram após a extinção dos dinossauros, mas os dois foram contemporâneos.

As aves são uns dos três grupos de vertebrados que evoluíram a ponto de bater as asas, de forma ativa, para o vôo. Os outros dois são os malfadados pterossauros e os morcegos, estes apareceram muito mais tarde e compartilham o céu com as aves até hoje. Os paleontólogos discutiram a origem das primeiras aves durante muitos anos. Uma parte argumentava que elas evoluíram a partir de pequenos dinossauros carnívoros pertencentes ao grupo dos terópodes, a outra defendia que evoluíram de répteis primitivos. Porém, descobertas de duas décadas passadas sobre dinossauros semelhantes a pássaros, inclusive muitos com penugem, convenceram a maioria dos cientistas de que os pássaros evoluíram dos dinossauros terópodes.

No entanto, preencher a lacuna entre os ancestrais aviários e as aves modernas provou- se ser muito mais capcioso. Vamos tomar o Archaeopteryx, a criatura de 145 milhões de anos da Alemanha, a mais antiga ave conhecida. O Archaeopteryx preserva a mais antiga evidência definitiva de asas com penas assimétricas capazes de gerar a sustentação necessária para o voo – a característica que defi ne o grupo. Entretanto, ele se assemelha mais aos dinossauros de porte pequeno, como o Velociraptor, o Deinonychus, o Anchiornis e o Troodon, que com as aves modernas. Como esses dinossauros, as aves primitivas, como o Archaeopteryx e o Jeholornis, descoberto mais recentemente na China, e o Rahonavis de Madagascar exibiam longas caudas ósseas, e algumas tinham dentes afi ados, dentre outras características primitivas. As neornithes, em contraste, não exibem essas características e apresentam um conjunto de traços avançados. Esses recursos incluem os ossos do dedo do pé totalmente fundidos e asas sem dedos, que reduzem o peso do esqueleto, permitindo voos mais eficientes; e pulsos e asas altamente flexíveis, que melhoram a maneabilidade no ar. Porém, foi impossível determinar como e quando as neornithes adquiriram essas características, por causa da ausência de fósseis que documentem essa transição.

Isso não quer dizer que o registro fóssil não tivesse nenhum remanescente aviário intermediário, em termos de idade, entre as aves primitivas e as neornithes pós-extinção. Claramente já no início do Cretáceo, há mais de 100 milhões de anos, as aves que representavam uma ampla gama de adaptações de voo e especializações ecológicas acabaram por evoluir. Algumas voaram com asas amplas e largas, enquanto outras tiveram asas longas e fi nas. Algumas viviam em florestas se alimentando de insetos e frutas, outras construíram seus lares às margens de lagos ou de água e subsistiram comendo peixes. Essa incrível diversidade persistiu até os últimos estágios do Cretáceo, há 65 milhões de anos. Na verdade, juntamente com os meus colegas holandeses do Museu de História Natural de Maastricht, descrevi restos de aves com dentes, encontrados logo abaixo do horizonte geológico que marca o evento de extinção do final do Cretáceo. Mas todas as aves do Cretáceo que estão completas o suficiente para ser classificadas pertenciam a linhagens mais antigas que as neornithes, e essas linhagens não sobreviveram à catástrofe. É por isso que, até recentemente, as evidências disponíveis sugeriam que a explicação mais simples para o aparecimento das aves modernas era que elas se originaram e se espalharam após o evento da extinção.

A descoberta da raiz das aves modernas no Cretáceo alinhou perfeitamente os registros fósseis com as datas divergentes baseadas no DNA. No entanto, ela levantou uma nova questão incômoda, ou seja, por que os pássaros modernos conseguiram sobreviver ao impacto de asteroides e às mudanças ecológicas consequentes, quando seus primos voadores aviários mais primitivos e seus companheiros, os pterossauros, não sobreviveram? Em minha opinião, isto constitui o único mistério relevante remanescente sobre a evolução das aves. A resposta ainda está muito longe de ser elucidada, e, neste momento, venho dedicando grande parte da minha pesquisa à tentativa de descobri-la.

Com apenas uma dupla de neornithes confirmada no Cretáceo, não há muito em termos de pistas fósseis para seguir adiante. No entanto, novas suposições estão sendo feitas em estudos de aves vivas. Usando inúmeras informações de medições de aves vivas, os meus colegas do Reino Unido e eu demonstramos, por exemplo, que as proporções de osso de asa de pássaros primitivos modernos, inclusive o Teviornis e o Vegavis, não são diferentes dos extintos enantiornites. Comparando as proporções do osso da asa fóssil com as das aves de hoje podemos inferir alguns aspectos sobre o formato da asa e, em consequência, obtermos informações sobre as capacidades aerodinâmicas das aves dos fósseis. Mas só podemos concluir que as formas das asas dos dois grupos de aves fósseis não diferem entre si, em outras palavras, não achamos que as primitivas neornithes fossem melhores quanto ao voo do que os enantiornithes (embora os dois grupos provavelmente tivessem desempenho melhor no ar que os animais semelhantes aos terópodes, como o Archaeopteryx).

Artigo Completo: Scientific American Brasil

quinta-feira, 6 de março de 2014

Mata Atlântica: O Impacto das Mudanças Climáticas

Compreender os processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás da enorme biodiversidadee do padrão de distribuição de espécies da Mata Atlântica e, com base nesse conhecimento, criar modelos que permitam prever, por exemplo, como essas espécies vão reagir às mudanças no climae no uso do solo.


Esse é o objetivo central do projeto de pesquisa"Dimensions US-BIOTA São Paulo: integrando disciplinas para a predição da biodiversidade da Floresta Atlântica no Brasil",que reúne cientistas do Brasil e dos Estados Unidos. O projeto é realizado no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).

O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), endêmico da Mata Atlântica, se encontra na categoria espécie ameaçada de extinção na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês)
O bioma é considerado um dos 34 hotspotsmundiais, ou seja, uma das áreas prioritárias para a conservaçãopor causa de sua enorme biodiversidade, do alto grau de endemismo de suas espécies (ocorrência apenas naquele local) e da grande ameaça de extinção resultante da intensa atividade antrópica na região.

A empreitada coordenada por Carnaval e por Miyaki teve início no segundo semestre de 2013. A rede de pesquisadores esteve reunida pela primeira vez para apresentar suas linhas de pesquisa e seus resultados preliminares na segunda-feira (10/02), durante o “Workshop Dimensions US-BIOTA São Paulo - A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”. 

Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do BIOTA-FAPESP, apresentou um histórico das atividades realizadas pelo programa desde 1999, entre elas a elaboração de um mapa de áreas prioritárias para conservaçãoque serviu de base para mais de 20 documentos legais estaduais – entre leis, decretos e resoluções.

“É fundamental que um país megadiverso, que tem todo o interesse de ter sua biodiversidade protegida por esse protocolo internacional, se torne signatário do protocolo antes dessa reunião”, afirmou Joly.

Artigo Completo: National Geographic Brasil

Um Show de Cores, 7 Borboletas Fantásticas

As borboletas são insetos constantemente confundidos com mariposas. Ambas fazem parte da ordem científica Lepidoptera, que significa asas escamosas. O nome deriva das escamas que caem das asas em forma de pó quando tocadas.

As diferenças entre borboletas e mariposas se dividem entre comportamento e anatomia. As mariposas são, em sua maioria, noturnas. Voam e se alimentam à noite. As borboletas, por sua vez, realizam suas atividades durante o dia.

Borboleta Pavão Esmeralda

A Borboleta Pavão Esmeralda (Papilio palinurus) é nativa do sudoeste da Ásia. As belas cores das asas são dificilmente vistas, uma vez que ela voa muito rápido e o que se vê geralmente é apenas um borrão verde. Ela é protegida por leis na Thailandia, para evitar extinção devido sua beleza atrair muita atenção.








Borboleta-oitenta-e-oito

Pertence ao gênero Diaethria e é encontrada na região neotropical, que vai desde o México até o Paraguai. Normalmente são chamadas de “oitenta-e-oito” em referência ao padrão característico na parte inferior das asas posteriores de muitas delas. O padrão consiste de pontos pretos rodeados por linhas pretas e brancas concêntricas, e normalmente parecem com os números “88″ ou “89″.




Borboleta transparente


Borboleta transparente, conhecida internacionalmente como Glasswing butterfly (Greta oto)

Borboleta azul

Da espécie Chorinea sylphina, esta espécie de borboleta pode ser encontrada no Equador.











Ninfa Comum de Árvore

“Ninfa Comum de Árvore” (Idea stolli logani), encontrada no sudeste da Ásia.











Atrophaneura dasarada

Borboleta da espécie Atrophaneura dasarada, encontrada na Ásia. Em algumas regiões, é conhecida como borboleta da morte.


Borboleta branca

A borboleta branca  tropical vive no México e nas Índias Ocidentais. Possui uma série de “olhos” na parte inferior das asas.















Fonte: TopBiologia

Morcegos: Proteção contra o Gelo

A memória de longo prazo dos morcegos sobrevive à hibernação.
A temperatura do corpo de um morcego, durante a hibernação, cai para 8ºC. Um desafio para o cérebro desses animais, pois com essa temperatura, as sinapses podem retroceder e algumas estruturas cerebrais podem ser alteraras. Conforme descobriram pesquisadores do Instituto de ornitologia Max-Planck, em Seewiesen, na Alemanha, o “período gelado” do inverno não prejudica a memória dos pequenos voadores — o que é muito importante para sua sobrevivência.

Ireneusz Ruczynski e Björn Siemers treinaram 13 morcegos-rato-grande (Myotis myotis) durante cinco semanas para encontrarem comida em um labirinto. Então os cientistas submeteram parte do grupo a uma baixa temperatura até o nível de hibernação.

Após dez semanas no longo sono gelado, as temperaturas elevaram e interromperam o descanso. Então, os animais deveriam mais uma vez encontrar o caminho até os bichos-da-farinha através do labirinto aéreo. Aqueles que hibernaram foram imediatamente tão bem sucedidos quanto seus companheiros que permaneceram acordados. O resfriamento temporário, portanto, não reduziu a capacidade de sua memória.

Um resultado surpreendente — pois já se sabe que roedores, como esquilos, sofrem uma clara perda de memória nas fases de frio. Ruczynski e Siemers reforçam que a complexa representação de seu ambiente tridimensional no cérebro dos morcegos-rato-grande exige uma efetiva proteção da memória. Graças à sua boa memória espacial, os animais conseguem encontrar de novo, mesmo depois de anos, seus antigos locais de reprodução e descanso, assim como locais de alimentação em um círculo de 25 km. Ainda não se sabe qual mecanismo neurobiológico existe por trás dessa “proteção contra o gelo”.


Aprender...


segunda-feira, 3 de março de 2014

Armadilha de Dinossauros?

Quando vários indivíduos de uma única espécie são preservados em um lugar, um paleontólogo deve questionar se esse agrupamento é natural, ou seja, era um grupo familiar ou uma manada reunida, que poderia certo dia, ter sido mortos na sua trilha? A maioria dos acúmulos de ossos de uma única espécie não é tão interessante. Ao contrário, é composta de indivíduos não aparentados que, durante algum período desconhecido de tempo, morreram perto de um olho d’água ou foram levados por uma enchente. Se empacotássemos rapidamente os esqueletos remanescentes, a parte mais interessante da história – como todos aqueles dinossauros haviam morrido – estaria perdida para sempre. Pistas para a causa, as circunstâncias e o momento da morte não se fixam exclusivamente nos próprios ossos, mas também na posição dos esqueletos, na presença de marcas de dentes ou nos ossos estilhaçados e na característica do sedimento que se acumulou antes, durante e após a morte. A cena do crime, e não um achado digno de um troféu de paleontólogo, é como devemos encarar esse depósito fóssil.

Logo começamos a acreditar que esses animais encontraram o seu fim, ao mesmo tempo. Os esqueletos não estavam distribuídos aleatoriamente, todos os ossos pareciam apontar na mesma direção. Poderia ter sido o resultado de uma inundação ou um rio carregando vários conjuntos de ossos para o mesmo lugar, mas não conseguimos encontrar nenhuma evidência de que os ossos tivessem sido transportados dessa forma. Todos os esqueletos estavam intactos.

Além disso, as camadas finas de rochas vermelhas e azuis da face do penhasco implicavam que a área se compunha de lama de granulação fina e areia. Encontramos manchas nas gretas de lama infiltradas, sugerindo que a área passara por períodos de seca e de cheia. Pequenas carapaças achatadas de criaturas de água doce chamadas conchostráceos cobriam alguns esqueletos, os destroços de um lago em expansão. Perto dos esqueletos, a lama era quase pura, sem as tocas de vermes e as raízes de um solo que sustentasse a vida vegetal. Em geral, a rocha circundante dos esqueletos sugeria a maré enchente e vazante de um lago antigo.

Nunca se ouvira falar de uma coleção de fósseis semelhante a esta – era (e continua sendo até hoje) a única amostragem conhecida de uma espécie de dinossauro, à moda de Pompeia. Conforme a operação prosseguia nos depósitos, passamos muitas horas meditando sobre cenários da morte. Talvez esses dinossauros tenham morrido devido à proximidade de um vulcão ou sucumbiram a uma enchente rápida? “Talvez eles só tenham ficado presos na lama?”, Gabrielle Lyon, membro da equipe, sugeriu enquanto delineava com agulha de joalheiro os dígitos cerrados do pé de um dinossauro tombado. Para mim, a ideia de uma armadilha de lama parecia um pouco inverossímil. Embora escavadora experiente, Gabrielle era educadora, não uma paleontóloga ou geóloga. Animais modernos como as vacas, às vezes, morrem perto de olhos d’água – os animais grandes ficam atolados até as rótulas na lama e acabam morrendo de sede, exposição ao sol e fome. No entanto, é extremamente raro que manadas inteiras pereçam dessa forma.

Artigo completo: Scientific American Brasil